O MARTÍRIO DA IRMÃ MARIA ANTÓNIA

 
      
 

Assistimos, consternados, à notícia da violação e assassinato da irmã Maria Antónia, religiosa em S. João da Madeira. Esta religiosa dedicava a sua vida ao serviço dos pobres e marginalizados.

Note-se, que este crime não se passou em países, em guerra. Aconteceu “à nossa porta”!

Os jornais, a televisão e a rádio abordaram este assunto, mas com medo. Constatamos que tem havido um silêncio penoso sobre este crime – salvo raras exceções - e perguntamos intimamente, quais as razões deste silêncio?

Se pensarmos bem e formos bons observadores, concluiremos, com toda a certeza, que se esta mulher pertencesse a um movimento feminista ou político, teria honras nas primeiras páginas dos jornais e nos noticiários da televisão ou da rádio, durante muitos dias. É que, para esta gente, as vidas perdem valor se se tratar de pessoas afetas à Igreja.

Também a nossa comunicação social regional, ligada à Igreja, trabalha na onda do silêncio. No jornal citadino que nos entra todos as semanas, em casa, propriedade de uma paróquia da diocese, vale o silêncio. Não nos surpreende, pois, das 36 páginas de noticiário regional, só existe uma (a 2ª), dedicada à Igreja.

Da diocese não se fala. Temos um meio de comunicação social – o site da diocese – que envergonha os mais desenvergonhados. É um site de boa apresentação gráfica, mas pobre de conteúdos e informações, desventrado e desconhecido da quase totalidade dos diocesanos. É o que temos e merecemos…

Valham-nos os e-mails que o nosso bispo nos envia todas as sextas-feiras e que publica no facebook. De mal, o menos... à falta de melhor, já é um elo de ligação muito bom (em meu entender) entre bispo e diocesanos.

 Voltando ao crime de São João da Madeira, a irmã Maria Antónia Pinho – da congregação das Servas de Maria Ministras dos Enfermos - estava ao serviço da Igreja Católica numa missão evangélica, implicada nas questões da Justiça e da Paz no seu contexto de ação. Ao serviço, também, da sociedade civil e dos mais marginalizados.

Os nossos bispos reagiram, de imediato, ao cruel crime do martírio da religiosa assassinada, em São João da Madeira, mas a comunicação social não pode ficar calada e tem de denunciar o nosso sistema judiciário, tão apático e inoperante. Casos como este obrigam o povo português a uma reflrexão séria, considerando que o sistema judiciário permite aos monstros criminosos andarem à solta nas ruas, quando o seu seu lugar, seria na prisão perpétua.

Devemos à irmã Maria Antónia Pinho e à sua congregação a nossa profunda solidariedade, e esperamos que esta religiosa, pelo seu martírio, venha a ser venerada, em breve, nos nossos altares