DA MINHA VARANDA - II

Mais uma vez, cá estamos, para conversar convosco. Tenho pena que a conversa seja em monólogo. No entanto, para quem tiver sistema informático com as aplicações Scype ou Zoom, é possível falarmos e vermo-nos em grupo, o que tornaria este tempo de clausura menos fastidioso. Mas esta tecnologia ainda não está acessível à maioria das pessoas e por isso vamos ao modo tradicional.

São onze horas e trinta minutos. Sentado à porta da minha varanda, voltada para o mundo, e tão deliciado com os raios solares de sol nascente a irradiarem sobre meus pés, que olho para o horizonte del país de nuestros hermanos, concluindo não ser verdadeiro o velho ditado português “de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento”…

Tenho entre mãos a recente entrevista dada pelo Papa Francisco, ao seu biógrafo Austen Ivereigh, durante estes dias de enclausuramento, no Vaticano. Porque vem ao encontro do que penso, deixo aqui uma reflexão sobre a mesma.

Criticando os governos do mundo, Francisco denuncia a cultura do descarte: a riqueza não pode ser a agenda da sociedade, e a solução para os pobres não pode ser uma “política assistencialista”. É indispensável extinguir a pobreza e «valorizar o pobre na sua bondade própria, com a sua forma de ser, com a sua cultura, com o seu modo de viver a fé»

À pergunta, o que pensa Francisco da pandemia Covid 19?, Francisco respondeu que esta pandemia é uma resposta da Natureza à Humanidade, e uma chamada de atenção à hipocrisia de alguns líderes políticos: na verdade, muitos políticos falam da solução da crise, da solução da fome no mundo, no entanto, fomentam a guerra, fabricando armas.

Francisco deixa bem evidente a sua opinião de que é evidente a relação difícil entre o Homem e a Natureza: “Há um ditado espanhol: Deus perdoa sempre, nós de vez em quando, a Natureza nunca”

Hoje, pergunta Francisco, quem compreende as catástrofes dos incêndios da Austrália, ou dos glaciares a derreterem-se? É de esperar eu a Natureza se vingue do homem, como diz o ditado espanhol.

“Não sei se é vingança, mas é a resposta da Natureza”, diz Francisco.

De facto o Covid 19 revela os efeitos devastadores da ação do homem sobre o meio ambiente, ao longo das décadas, e serve de alerta ao mundo de hoje. O Covid 19, não é castigo, mas certamente um “abanão” do Criador, ao homem, para que este acorde. E há tanta coisa a mudar no mundo político, mundo social, nas instituições e até na pastoral da nossa Santa Igreja!

Oxalá que os líderes despertem, os fanáticos se humilhem, os políiticos olhem menos para si e para os interesses partidários, haja mais justiça, mais caridade e menos populismos.