DA MINHA VARANDA - V

Hoje, a minha varanda encontra-se inacessível, divido à intempérie, provocada pela chuva batida pelo vento de sudeste.

Sentado , observo pela vidraça da porta, o céu cinzento e triste, enquanto vou ouvindo o desenrolar das últimas notícias do canal da TV. O caso que  continua a dominar os noticiários é a morte da inocente Valentina, vítima de atos criminosos do seu progenitor e sua companheira. É a morte de uma inocente indefesa que na sua infância é privada horrorosamente do dom mais precioso que ela possuía: a vida.

Os horrores de sua morte deixa-me os cabelos de pé, tanto mais que foram provocados pelo seu próprio pai.

Ao fixar meus olhos na imagem da inocente criança, parece-me ver o rosto de um anjo, feliz, irradiante de alegria, cheio de vida que dois perversos criminosos destruíram. É crime repugnante contra a natureza humana, como são tantos outros que, por aí se cometem: refiro-me à morte de inocentes que a lei portuguesa aprova e defende. Desde 2007, ano em que foi aprovada a lei da legalização do aborto, até esta data, segundo as estatísticas, já foram liquidados mais de 180.000 crianças inocentes , mais de 4 vezes a população da cidade de Castelo Branco.

O crime do aborto não é inferior ao crime da morte de Valentina. Um e outros são crimes contra a natureza humana, tal como existem muitos outros contra a natureza ambiental. Ambos são hediondos, cometidos pelos humanos que deviam respeitar os outros e a natureza. Acredito que a pandemia, provocada pelo Covid-19, nos nossos dias, seja um reflexo da reação da natureza a tantos atentados do homem à harmonia do universo humano e ambiental.

Recordo o ditado espanhol: “Deus perdoa sempre, o homem perdoa às vezes, a Natureza nunca perdoa”.

Recordo também a palavra de Jesus, no Evangelho: "O que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos e irmãs, a mim o fizestes" (Mateus, 24, 40).

Na verdade, Cristo continua a ser crucificado.