DA MINHA VARANDA - VI

 

   
   

Da minha varanda, vejo mais de uma dezena de chaminés, nas diversas empresas, aqui sediadas.

Cada uma vomita daquilo que vai digerindo e polui, mais ou menos, conforme o alimento que lhe é fornecido. Há dias horrorosos, muito horrorosos, apesar de eu já estar vacinado contra os maus cheiros.

Aqui, à minha varanda, chega, constantemente, tanta poluição acompanhada de tantas partículas pretas, que me dá vontade de gritar, com toda a minha força, aos ouvidos dos senhores responsáveis por esta calamidade: basta, basta, basta!... retro, satana!,,,

Os nossos carros, em dias de nevoeiro, ficam pretos, como o carvão. E os nossos pulmões, como ficarão?

Foi no feriado, dia do Corpo de Deus.

Logo de manhã, o ar era irrespirável, devido à enorme fumaraça preta, emanada das chaminés da fábrica Centroliva. Outro fator incomodativo eram as muitíssimas partículas que entravam nos olhos e que importunavam, como se fossem pequenas areias. Nem a máscara impedia que tais partículas ativassem as rinites e sinusites crónicas, já de per si resultantes do ar que aqui se respira, há várias décadas.

Nós, os afetados e “infetados” nas vias respiratórias, a quem a qualidade de vida se vai perdendo, paulatinamente, é de justiça que sejamos ressarcidos, daquilo que, todos os dias nos é roubado, pela poluição incontrolada – a nossa saúde e a nossa vida. Faça-se um levantamento dos rodanenses afetados com problemas graves respiratórios, que eu serei o primeiro a gritar por justiça.

Queremos a vida e não a morte.

Queremos ser ressarcidos daquilo que, pessoas bem identificadas, através das suas empresas poluentes, nos roubam, todos os dias: a nossa saúde e a nossa vida.

Vamos unir-nos e gritar por justiça.

Vila Velha de Ródão, 19 de Junho de 2020

António Escarameia